eu estou tentando escrever tentando e conseguindo eu ja sou um homem velho mas tem plano de menino cabeça de cientista presa no proprio destino as vezes tem esplosão mas o meu calculo é fino cabeça de cientista presa no proprio destino sou escravo da lembrança até me falta o tino gosto das coisas rimadas por isso agora eu rimo enquanto meu corpo chora minha alma tá sorrindo enquanto meu gado berra meu cachorro esta latindo enquanto eu to pensando o ladrão rouba meu tino e eu olhando pro céu e a benção do céu caindo encontrei a eternidade no passado conseguido sou gregório delgado e desse jeito termino.
Consulta Psicoespiritual (Taroterápico)
Navegue pela Invisibilidade
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
gregorio delgado
eu estou tentando escrever tentando e conseguindo eu ja sou um homem velho mas tem plano de menino cabeça de cientista presa no proprio destino as vezes tem esplosão mas o meu calculo é fino cabeça de cientista presa no proprio destino sou escravo da lembrança até me falta o tino gosto das coisas rimadas por isso agora eu rimo enquanto meu corpo chora minha alma tá sorrindo enquanto meu gado berra meu cachorro esta latindo enquanto eu to pensando o ladrão rouba meu tino e eu olhando pro céu e a benção do céu caindo encontrei a eternidade no passado conseguido sou gregório delgado e desse jeito termino.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
reflexão sobre as possibilidades de se viver livremente num mundo programado por aparelhos
psicótico, sujeito experimental por excelência
alucinações & visões, pensamentos transformados em imagens
as imagens são pacotes de dados que pretendem representar algo
resultam da possibilidade de se abstrair dimensões no continuum espaço-tempo
imaginação é a capacidade de gerar, transmitir e decifrar imagens
a imagem é produzida e distribuída a fim de informar
imagem implica magia, automação e jogo
informação implica símbolo
toda fotografia se aproxima da ginástica mental do alienado
fotografia não é máquina, mas brinquedo, como as cartas de baralho
o jogador: re-invenção/subversão deste estado de coisas
a transformação: de geopolítica em cronopolítica
propiciada pelas novas fontes de imaginário
entidades que participam plenamente da instituição de mundos percebidos
sábado, 21 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
tudo merece uma segunda pele
foto de Carlos Patrício
Quando um artista rompe com a matéria de que é feito, equivale, para o mundo, à descoberta da própria textura. Mais do que se dirigir a um público, a verdadeira obra de arte abriga usuários dos ambientes e conexões que estabelece; cada obra se descobre enquanto participação e diálogo, na medida em que cria pertencimentos e se conecta com realidades onde vivem seres flutuantes.
Coexistem no objeto estético múltiplas arquiteturas simbólicas: por exemplo, se numa região do fenômeno artístico predomina o conceito, com o inevitável cortejo da infinita reprodutibilidade, noutra, evidencia-se a dimensão site-time-specific, em que a arte intervém na qualidade de dobra, de elemento reflexionante no jorro da vida.
Criação delirante, libertação por hipertrofia imaginária, o habitat da poesia é topologia instável transformada em sonho tangível. Arte não é resultado, é resto. É o que resta de um esforço para repotencializar a realidade, aumentá-la com metáforas, deformá-la por meio da saturação (ou ausência) de sentidos.
A arte não transforma o mundo, nem o artista, mas pode revelar em ambos seus percursos imprevisíveis e suas desconcertantes mentiras. Eterna e efêmera, cópia e simulacro, aço e alabastro, resiliente e dúctil, assim é a physis contraditória com que o artista ergue sua paisagem de segredos e revelações ― geologia de superfície cujo desabamento contínuo não pára de soterrar nosso frágil cotidiano.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
“por que será que o amor é imensamente mais rico do que qualquer outra possibilidade humana?”


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
a favor de um tempo que virá
no presente contínuo
....................................dos tempos enfileirados
imiscui-se impertinente
.......................................o amorfo acontecimento
assim foi a história
...................................que vivi na carne
plena de paradoxos
..................................alógica indócil a toda
hierarquia classificante
.......................................ou coerência superior
assim os descaminhos
.......................................paralelos do tempo
assim as colaterais
...............................vias desvios cegos
trilhos errantes
...........................suspensos sem lar
que comportam
.......................variação/repetição inesgotável
que ramificam
........................movimento e cesura
para administra
..........................o ouro do porvir
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Parir a Eternidade: Obra do Amor
Passiflora, flor da paixão e do maracujá
A faculdade do conhecimento reconhece a dívida da memória para com a presença. Logo, o saber é incerto. O certo é que um amor é o amor em si mesmo, pois que há nele uma unidade, e esta unidade é contingência e solidariedade e vazio.
No amor não há dúvidas, só a cegueira convicta daqueles que se abrem às promessas do mistério.
Viver radica o existir na possibilidade; viver o amor, amar a liberdade, é o teatro eterno do pacto com o desconhecido.
Não sei o nome da fera que me apareceu em sonho, não sei e não quero saber. Há coisas demais do “outro lado”.
Agora que se foi, sinto a falta dela, para falar a verdade, sinto falta da ausência dela.
Imagino que sei o isso significa: só me cabe o amor que termina, que é instante, potencialidade, aposta. Amar o que está, não o que é.
Às vezes um espelho num lugar inesperado, outras, uma superfície refletora qualquer produz esse menos-que-segundo de irreconhecimento ― quem é?
Amor, desamor, reciprocidades que não são por, ou com, alguém, mas que repousam aquém do visível, no hiato do entre-tempo.
O que seria amar o amor, cair a seus pés, ser outro nele, confiar no mundo, acreditar que isto é a felicidade?
Ou seria apenas mais uma ilusão?, como o encontro das paralelas no infinito, na eternidade realizar-se-ia seu poder ignorado, embora nunca houvesse estado oculto.
Ansiamos retê-lo, mas então o amor não se mostra; gostaríamos de transformá-lo, mas ele é pura metamorfose; desejaríamos agradecer-lhe, mas ele é perfeita generosidade e aventura.
Não encontramos nada que seja suficiente, ou revelação a tal ponto incompreensível; não há o que possa dominar esta força, que a possa dizer ou negar, constranger ou provar.
Só assim elevamos nossa vida à sua real potência, só desta forma o exílio adquire significado e a morte pode ser costurada à alma pelo avesso.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
livros que o Lula não leu nas férias



Homens e não (1945), de Elio Vittorini. Sem saber que Theodor Adorno proclamaria não ser possível a poesia depois de Auschwitz, uma geração de escritores engajados na luta contra o nazifascismo produzia, literalmente neste caso, no calor da batalha. Arte contra a barbárie, mas, ainda assim, arte que é, acima de tudo, a favor de si mesma. Pouco depois o autor romperia com o partido comunista.
Além dos Marimbus (1945), de Herberto Sales, é um primor de concisão e acabamento, neste road romance nada falta nem sobra; ourivesaria tão precisa e sofisticada consumiria décadas de trabalho do autor até à versão final, de 1961. Um curioso personagem secundário: o fazendeiro João Camilo, proto-ecologista em meio às hoje devastadas matas da região das lavras diamantinas da Bahia.
A Lua e as Fogueiras (1950), de Cesare Pavese, é uma obra prima. Após finalizar o livro, o autor se mataria, o suicídio, na época atribuído a um misterioso amor fracassado, figura entre os grandes enigmas da literatura mundial, como o desaparecimento de Carlos Castañeda, o rosto de J. D. Salinger, a vida privada de Shakespeare e o auto-exílio de Rimbaud na África.
Rituais (1995), de Cees Nooteboom, parece um filme francês: o protagonista não faz nada da vida, não se interessa verdadeiramente por nada nem ninguém, mas ― oh, surpresa! ― as pessoas à sua volta sentem-se atraídas por seu feroz, embora na aparência displicente, narcisismo. Bom de marketing, o autor estrelou uma edição recente da Flip, vendido como “o maior escritor holandês vivo”. Será?
A Ditadura Envergonhada (2002), de Elio Gaspari, é o primeiro de prometidos cinco livros sobre o período da última (esperamos) ditadura militar no Brasil. Documento vivo e fabulosamente rico em informações, a leitura traz puro deleite quando esquecemos de que horror se trata. Gaspari opta por focar dois personagens-chave no desenrolar dos acontecimentos: Geisel e Golbery; de quebra, discute a tese de que a administração do país criou, dentro do regime militar, uma insanável fonte de rebelião e anarquia. Quem pôs fim ao estado de exceção foram os próprios milicos. Ponto. De modo que o vezo autoritário, a exemplo da escravidão, talvez seja uma dessas marcas que a nação carrega como pecado original do qual não quer se livrar.
O Castelo na Floresta (2008) é o epitáfio de Norman Mailer. Ficção histórica ou história ficcionada, o livro trata da família Hitler e acompanha a infância e adolescência do maior avatar individual dos escabrosos totalitarismos que o século XX produziu. Detalhe: o narrador é um demônio encarregado dos anos de formação do menino-monstro que tem o poder de penetrar na mente dos personagens. O resultado, muito mais que assustador, serve para nos relembrar que a arte é um tipo de mentira que é mais verdadeira que a verdade ― quem, além deste camaleônico jornalista-gângster-escritor, poderia nos oferecer tamanho tratado de anatomia do Mal Radical? Previsivelmente, a crítica torceu o nariz; assim como na atual crise econômica que os “expertos” não detectaram, o caso é de cegueira generalizada. Confesso que, lendo estas páginas sombrias, ouvi mais de uma vez o riso sardônico do próprio Coisa-Ruim.
