Consulta Psicoespiritual (Taroterápico)

domingo, 21 de dezembro de 2008

babuínos têm úlcera (zebras não)

rua mota paes
rua mata-pais
em pós
matar o país
ser vítima da própria verdade

Deus é o nome do problema
Gratis pro Deo
e também o problema do Nome
o paralelo moral

tudo cabe na palavra tudo
toda coisa na palavra coisa
Deus, uma das máscaras mortuárias do Louco
personagem necessário
do sonho
― máquina de torturar babuínos ―
aparelho de báscula
nos gradientes
fundo-figura
[que vão] do Desejo para
o Real
e vice versa

porque no princípio
era só o Princípio
(o Grande Arquivo)
Logos/Físis/Hilé
são Meta

Deus é o enigma d’A Mulher
mas não sabia de nada
em Sua feroz ignorância
Dele a mão invisível do mercado
de sujeitos modernos
orgulhos tribais
empresas transnacionais
― e também não sabia dos ativos inflados
nem do rodo que passa todo dia nas bordas
do Sistema

a que serve a eminência
ausente
da operação abstrata (que gera a)
produção simbólica (vendida pelo)
marketing fantasmático
uma vez que a regra do jogo
é:
fique vivo
ainda mais que a Deus e à Mãe
nunca se perdoa
de todo
exílio tão insensato
a vida?


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

gostaria de conhecer A VERDADE?




A VERDADE sobre o quê? Sobre algumas das perguntas mais importantes que as pessoas já fizeram. Por exemplo, você talvez já tenha se perguntado:


Será que Deus realmente se importa conosco?
MOTIVO DA PERGUNTA: Vivemos num mundo cheio de crueldade e injustiça. Muitas religiões ensinam que nosso sofrimento é da vontade de Deus.


A guerra e o sofrimento acabarão algum dia?
MOTIVO DA PERGUNTA: A guerra continua a tirar um número enorme de vidas humanas. Todos nós já passamos por algum tipo de sofrimento.

O que acontece depois da morte?
MOTIVO DA PERGUNTA: Visto que os mortos não sabem nada, não sentem nada, nem podem fazer nada, eles não podem prejudicar ― nem ajudar ― os vivos. Salmo 146:3, 4.

Há alguma esperança para os mortos?
MOTIVO DA PERGUNTA: Nós queremos viver. Queremos aproveitar a vida com aqueles que amamos. É natural desejarmos ver novamente as pessoas queridas que morreram.

O que preciso fazer para Deus ouvir minhas orações?
MOTIVO DA PERGUNTA: Jesus nos ensinou evitar a repetição de palavras decoradas: “Ao orares, não digas as mesmas coisas vez após vez.” (Mateus 6:7)

Como posso encontrar a felicidade?
MOTIVO DA PERGUNTA: Muitas pessoas acham que dinheiro, fama e beleza lhes trarão felicidade. A verdadeira felicidade só pode ser encontrada se dermos passos para satisfazer a maior de nossas necessidades: o desejo de saber a verdade sobre Deus e Seu propósito para nós.

* Trechos do livro O Que a Bíblia Realmente Ensina?, da Associação de Torres de Vigia de Bíblias e Tratados da Pennsylvania.

CONTINUUM


Estacionou o carro após três horas e meia de viagem, os labradores dispararam uma algazarra de lambidas e pulos; os latidos ecoavam no braço de encosta coberto da mata densa que envolvia a casa e descia em declive abrupto até as franjas da praia. Manuela recolhia ao santuário das suas crises; uma semana isolada de gente e celular desligado seria, mais uma vez, suficiente para recuperá-la ― os sócios que segurassem os BOs na agência. O caseiro e a mulher estariam fora no final de semana: um feriado religioso caindo no sábado. Finados, talvez.
Que importa, agora só lhe importava mesmo preparar um dry martini decente, se largar na rede da varanda de frente para a vegetação, ouvindo o mar à distância. Balançando de leve, sem pressa para se entregar ao livro em suas mãos, meio embalada pelos esbarrões dos cachorros e o canto dos pássaros, meio desperta pela sensação gelada dos dedos que mergulhava no copo, ela recorda o ponto exato em que largou o texto. Os olhos encontram na página a última frase lida: “... os limites do seu destino tinham sido traçados pelo seu desejo.”. Poucos compreendiam, e muitos se admiravam, desta capacidade que tinha de ficar só.
As duas marcaram o encontro no alto do morro. Uma delas, na verdade Jéssica é um travesti, já está esperando no barraco abandonado; há poucos objetos na cena, a mesa bamba e sem cadeiras, a cama é um madeirite apoiado em pés improvisados de tijolo baianinho e a espuma verde manchada por cima. Um sagrado coração de Maria na parede. Chega a mocinha: jeans largo, tênis de lona colorido e blusa de alças ― o cabelo curto lhe dá um certo ar de tomboy ― ; ela repara que Jéssica está sangrando, faz menção de ajudar, esta retira a mão.
Manu estica seu braço pelas costas da rede, sentindo na mão a textura agradável do algodão cru contra a cabeça. A traveca desfaz o primeiro dos dois embrulhos que trouxe: um trinta e oito com a numeração raspada; abre o tambor, conta as balas, entrega-o à outra.
― Tó aí, amapô, a minha parte eu fiz ― chupava o sangue do corte produzindo um barulho agudo. ― Fiz isso daqui cortando a carne pra você. Entendeu o caminho que te expliquei?
― Sua grana. Deixa comigo; a trilha sai dos fundos do barraco, certo? ― Jéssica confirmou com um aceno, ela guardou o berro e o outro pacote numa pochete que usava atravessada no tronco franzino. Despediram-se em silêncio.
Saiu quase correndo pela mata para aproveitar o resto de luz do dia. Um suor acre e viscoso se empastava na pele e os mosquitos a atacavam sem dó, mas o pior era uma ridícula lembrança que se intrometia no pensamento, uma frase de circo, hoje tem marmelada?!, repetida pela mente a cada vez que a arma dentro da bolsa se chocava contra os peitos. Procurou afastar essa bobagem da cabeça para se concentrar no caminho e em cada etapa que deveria seguir. Os cães iam estar muito ocupados para atrapalhar. Sem criados. Atravessou a cerca passando por baixo, contornou então o terreno pelo lado oeste.
Subiu no alpendre e parou alguns instantes para se acalmar; o coração batia tão forte que acreditou que poderiam escutar suas pancadas violentas na casa vazia. Hoje tem marmelada? Caminhava pisando de leve o assoalho de tábuas corridas, observando as vigas enormes de madeira envernizada no telhado enquanto se aproximava apoiando a mão livre na balaustrada. Escurecia rápido. Engatilhou o revólver puxando o cão lentamente para não fazer barulho; como calculara, o alvo estava de costas, agora perfeitamente visível. O braço estendido para fora, dedilhava distraidamente os cordões da rede.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

a treva é quem desacerta as cores




o carro estava ali, parado, demorando
até que veio o apagão:
de madrugadinha, tomando este e mais dois quarteirões abaixo
um buraco de escuridão medonha
no meio da cidade;
foi no instante que entrei,
antes é preciso dizer que o camarada estava
do lado de lá da rua, à esquerda da minha guarita
e era um pretume sem falhas, grosso
igual piche,
daí que o clarão medroso da chama
não vencia a espessura da noite por toda
força que fizesse
mas era o bastante para graduar a dimensão dela,
como uma vela cria tons na sombra
ou como o negror da roça são trevas
de outra matéria das que temos aqui;
ele deve de ter acendido um isqueiro ou fósforo dentro do carro,
acontece que naquela situação
o ar se encheu de grãozinhos de um cinza
mofado
mas que esplendiam com todas as cores do arco íris
fagulhas ciscando a noite, azougues
semelhavam, tanto que foi o instinto que tive:
pisquei

domingo, 7 de dezembro de 2008

de leveza são capazes diversos elementos, vários gases


rondou por horas

o tormento desde o telefonema

dela

chegou, finalmente, atrasado

rezando

para que já tivesse ido embora

então

teria uma desculpa para

sair por aí,

nenhuma mulher com o bom senso e o juízo

e o orgulho

no devido lugar, perderia a chance

seria o retorno à paz

e ao desespero

àquilo que mais estava acostumado:

a infelicidade familiar traduzida

pelo gosto de nada na boca, involuntária,

a saliva

começou a descer-lhe

pela carne,

ganchos de ferro arrancavam

nacos de pele, tufos, fios soltos,

(a libra de Shylock)

o apartamento em polvorosa

uma meia de náilon pendurada numa cadeira

como o rabo de um gato

que não pode mais

sorrir